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Artigos Saint-Gobain Canalização

Saneamento básico precisa ser um desejo do cidadão

Enviado em 07 Novembro 2019, 11:38 AM

 

Escrito por Édison Carlos, presidente do Trata Brasil.

De acordo com os novos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2017), a situação do país ainda é crítica quando falamos de Saneamento Básico. Quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, mais de 100 milhões não possuem serviços de coleta de esgoto e apenas 46% dos esgotos gerados no país são tratados. Perdemos, em média, 38% da água já potável nos sistemas de distribuição das cidades, principalmente em vazamentos, fraudes, “gatos”, erros de medição... um absurdo, num país que recentemente viveu crises hídricas.

 

Há anos convivemos com problemas nessa infraestrutura mais básica e essencial à população. Apesar de ser “básica”, o Brasil ainda apresenta grande precariedade e isso recai sobre a saúde e meio ambiente. Estima-se que o nosso subsolo receba uma carga exorbitante de esgoto, equivalente a 5 mil piscinas olímpicas por dia, oriundas principalmente de áreas sem redes de coleta e tratamento, como: residências não conectadas à rede de coleta de esgotos e de áreas irregulares.

 

Temos falta de serviços nas áreas regulares e urbanas de muitas cidades, mas, além disso, dados do Censo 2010 do IBGE ainda mostraram que no Brasil ainda tínhamos mais de 11 milhões de pessoas morando em áreas irregulares, sendo quase todas sem acesso aos serviços regulares de água e esgoto. Quadro este que gera impactos brutais à saúde das pessoas. Convivemos cotidianamente com surtos de doenças como as diarreias, verminoses, hepatite A, esquistossomose, leptospirose e também as doenças do mosquito Aedes Aegypti, relacionado fortemente pelos pesquisadores da área como sendo resultado da falta de saneamento básico adequado.

 

O problema recai também, muito fortemente, na qualidade das águas superficiais e subterrâneas, como rios, reservatórios e aquíferos, que são afetados prejudicando o abastecimento público, agricultura, indústria, comércio e mesmo a segurança hídrica das cidades. Só para se ter uma ideia, dados do PAINEL SANEAMENTO BRASIL apontam que atualmente mais de 30 milhões de brasileiros (17,7%) já são atendidos por águas subterrâneas, e esse número tende a crescer.

 

Houve avanços nos últimos anos, especialmente após a Lei 11445 de 2007, o atual marco regulatório do setor, mas os investimentos foram insuficientes e, a continuar assim, não se vislumbra solução para os próximos 30 anos. O Brasil tem investido recursos da ordem de R$ 11 bilhões ao ano, quando necessitaria pelo menos o dobro para universalizar os serviços até 2030 – prazo acertado pelo Brasil com a Organização das Nações Unidas (ODS 06) ou 2033 – prazo do Plano Nacional de Saneamento Básico. Ou seja, significa que o saneamento básico ainda precisa ser encarado pelos governos e pelo cidadão comum com a importância que ele realmente merece.

 

Precisamos nos envolver mais, cobrar mais, exercer pressão nas autoridades. Saneamento precisa ser um desejo da sociedade, assim como queremos ter o aparelho celular de última geração, estudar na melhor escola, ter a melhor cobertura de saúde. Somente juntando esforços conseguiremos fazer avançar mais rápido essa infraestrutura tão necessária, que é sinal de dignidade humana e fundamental para a nossa qualidade de vida.

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